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DGADR

Aproveitamento Hidroagrícola de Idanha-a-Nova

Localização e área beneficiada:

Esta Obra, cuja construção se realizou em duas fases, a 1ª fase de 1935 a 1942 e a 2ª fase de 1944 a 1950, situa-se na campina da Idanha, no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco e beneficia uma área de 8 198 hectares.

Exploração da Obra:

Em 1949 iniciou-se a exploração e conservação da Obra a cargo da Junta Autónoma das Obras de Hidráulica Agrícola e em 1954 foi transferida para a Associação de Regantes e Beneficiários de Idanha-a-Nova, com sede no Ladoeiro, criada para o efeito por Alvará de 14 de Agosto de 1947.

O número de beneficiários deste aproveitamento hidroagrícola varia de ano para ano, tendo-se apurado 891, em 1996.

Solos:

Na área abrangida pelo aproveitamento hidroagrícola encontram-se os seguintes solos:

Aluviões (Al) com variantes, Aluviossolos Modernos de textura mediana (A), Aluviossolos Modernos de textura ligeira, sem carbonatos (Al), Aluviossolos Antigos de textura mediana, sem carbonatos (At), Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos de arenitos (Vtc), Solos Mediterrâneos Pardos Para- Hidromórficos de arenitos ou conglomerados argilosos (Pag), Solos Litólicos Não Húmidos de materiais arenáceos pouco consolidados (Par) e Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos de “rañas” ou depósitos afins (Sr).

Fontes de abastecimento de água:

A água para a rega e fins industriais provém da albufeira da Idanha, localizada no rio Ponsul. As principais características da barragem e da albufeira são:

BARRAGEM
. tipo de peso de gravidade  
. altura máxima acima do leito 44 m
. desenvolvimento do coroamento 148 m
. largura do coroamento 4,2 m
ALBUFEIRA
. bacia hidrográfica 359 km2
. área inundada 678 ha
. cota do N.P.A. 255,5
. cota do N.M.C. 258,50
. capacidade total 78,10x106 m3
. capacidade útil 77,30x106 m3
. capacidade morta 0,80x106 m3

Rede de rega:

Para a distribuição da água para a agricultura foi construída uma rede de rega com um desenvolvimento total de 294.503 metros, dos quais 116.923 metros constituem a rede primária e 177.580 metros a rede secundária. Para apoio da rede de rega foram instaladas duas estações elevatórias de rega — Aravil e Ladoeiro — com as seguintes características:

  E.E. Aravil E.E. Ladoeiro
Caudal máximo a elevar
altura manométrica
potência dos motores
número de unidades
3.275 l/s
21 m
2x515 e 220 CV
3
650 l/s
4,5 m
110 CV
2

Central hidroeléctrica:

Neste aproveitamento hidroagrícola encontra-se instalada no pé da barragem uma central hidroeléctrica com as seguintes características:

. energia produtível anual (média)
. potência da turbina
. potência do alternador
4,5 GWh
3.020 CV
2.600 kVA

A produção de energia eléctrica desta central, desde o início da sua exploração até finais de 1969, foi de 107.191.900 kWh.

Localização na Carta de Portugal:

O aproveitamento hidroagrícola da Idanha-a-Nova encontra-se localizado nas folhas nºs 269, 270, 281, 282, 293 e 294 na escala 1/25 000 e nas folhas 25A e 25C na escala de 1/50 000 da Carta de Portugal.

Situação anual das reservas hídricas e respectivos consumos:

No Quadro 1, encontram-se registados os valores da água armazenada na albufeira da Idanha no início e fim de cada campanha de rega, assim como os valores de água consumida pela agricultura e indústria desde o ano de 1957.

Evolução das culturas e áreas regadas:

Neste aproveitamento hidroagrícola foram instaladas 59 unidades com o sistema de rega por aspersão (“Pivot”), que em 1994 dominavam uma área de 1.450 hectares. Em 1995 este número aumentou para 62 unidades dominando uma área de 1.550 hectares. Algumas destas unidades situam-se fora do perímetro de rega da Idanha, utilizando contudo água fornecida pelos elementos da Obra mas a título precário. Em 1996 foram regados fora do perímetro de Rega da Idanha, com água fornecida pelos elementos da Obra, um total de 791 hectares, sendo 147 hectares de girassol, 254 hectares de tabaco, 328 hectares de milho, 20 hectares de milho forragem, 35 hectares de sorgo e 7 hectares de prado.

Evolução das principais culturas e áresa regadas (ha)

 

 

 

 

 

As principais culturas deste aproveitamento hidroagrícola são o milho, tabaco (cultura introduzida somente em 1977), prados e forragens e, nos últimos anos, o girassol com grande expressão em 1994, 1995 e 1996, como se mostra no gráfico da evolução da principais culturas e áreas regadas.

Evolução da área regada (ha) — 1980-2001

 

 

 

 

 

 

As essências florestais, a vinha e o feijão frade são culturas que só acidentalmente se regam. Em 1993 não se efectuou o registo cultural anual devido à insuficiência de água armazenada na albufeira e às restrições na distribuição de água à agricultura.

Ocupação cultural em 2001

 

 

 

 

 

 

No Quadro 2 mostra-se a evolução das culturas e áreas regadas no período 1990-2001.

 

Quadro 1 - Água armazenada e consumida (milhões de m3)
 

Volumes armazenados

Volumes consumidos

Anos

No início da rega

No final da rega

Rega

Indústria

Total

1957

40,200

 

26,900

-

26,900

1958

77,400

 

24,400

-

24,400

1959

78,100

 

24,800

-

24,800

1960

76,800

 

24,200

-

24,200

1961

54,600

 

24,800

-

24,800

1962

70,400

 

29,900

-

29,900

1963

78,100

 

29,200

-

29,200

1964

78,100

 

31,100

-

31,100

1965

51,700

 

34,700

-

34,700

1966

70,800

 

35,200

0,125

35,325

1967

69,000

 

34,000

0,349

34,349

1968

78,100

 

29,900

0,433

30,333

1969

77,400

 

26,500

0,290

26,790

1970

63,820

17,400

30,953

0,320

31,273

1971

67,360

37,340

22,909

0,298

23,207

1972

77,852

26,520

26,295

0,270

26,565

1973

56,028

21,971

29,159

0,275

29,434

1974

57,406

20,000

31,300

0,270

31,570

1975

53,220

19,580

27,800

0,320

28,120

1976

25,602

8,852

15,100

0,256

15,356

1977

76,860

50,350

20,860

0,256

21,116

1978

70,536

39,740

22,900

0,261

23,161

1979

77,108

47,200

24,390

0,284

24,674

1980

78,100

44,845

29,100

0,115

29,215

1981

46,465

14,526

29,059

-

29,059

1982

51,200

26,418

26,989

0,125

27,114

1983

42,865

24,446

27,400

0,137

27,537

1984

68,600

36,808

24,200

0,289

24,489

1985

73,574

32,212

27,000

0,300

27,300

1986

63,760

27,030

32,000

0,216

32,216

1987

71,156

37,720

28,000

0,216

28,216

1988

75,620

39,660

25,000

0,130

25,130

1989

68,260

30,350

30,000

0,250

30,250

1990

55,542

18,740

36,800

0,250

37,050

1991

77,046

33,004

45,200

0,300

45,500

1992

32,464

7,126

25,014

-

25,014

1993

11,440

9,552

-

-

-

1994

78,410

52,950

26,500

-

26,500

1995

76,116

44,755

32,973

-

32,973

1996

78,348

47,100

32,088

-

32,088

1997 77,914 49,250 32,054 - 32,054
1998 78,038 46,800 34,056 - 34,056

[ texto ]

 

 

Quadro 2 - Evolução das culturas e áreas regadas (ha) 
 

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

Milho

442

475

398

-

39

277

617

848

1.337

1.220

562

432

Milho forrageiro

247

233

237

-

217

239

584

389

-

299

259

618

Tomate

270

251

51

-

3

3

-

1

1

1

-

0

Batata

13

6

20

-

-

1

-

-

1

2

1

-

Feijão

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Pimento

13

11

15

-

35

32

10

17

4

3

6

2

Melão-melancia

39

36

43

-

39

28

27

21

16

24

14

12

Abóbora

8

6

5

-

5

6

7

5

5

6

3

3

Horta

99

85

79

-

91

82

74

77

84

86

55

54

Pomar

19

16

16

-

47

21

19

34

16

26

18

17

Prados e forragens

446

383

552

-

365

389

423

554

496

705

566

605

Girassol

-

-

-

-

2.760

1.824

1.237

39

-

262

36

45

Tabaco

764

802

1.015

-

658

880

966

1.076

1.241

990

812

680

Ess. Florestais *

231

226

228

-

288

338

291

-

-

294

-

-

Feijão Frade *

16

32

39

-

16

12

-

-

-

-

-

-

Vinha *

64

58

59

-

51

40

39

31

-

8

3

3

Outras

11

37

17

-

41

31

14

3

21

13

5

8

Total regado

2.682

2.657

2.774

0

4.655

4.203

4.308

3.095

3.221

3.938

2.339

2.479

* Culturas regadas acidentalmente

[ texto ]